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Este blog tem como objetivo, ser um complemento para alunos do ensino médio, no que refere as Ciência Humanas.


08/03/2012

ASSUNTO CORRETES DO PENSAMENTO GEOGRÁFICO II - O Possibilismo


NOÇÕES PRELIMINARES:

No fim do século XIX, em 1870 com o fim da guerra franco prussiana a Alemanha anexou Alsácia e Lorena a seu território (domínio). A vitória da Alemanha sobre a França,foi atribuída pelo governo francês ao ensino ministrado no país, que foi considerado de baixa qualidade quando comparado com o ensino da Alemanha. Isto é, a perda da guerra foi atribuída não ao exército alemão, e sim à geografia, como ela era ensinada e aplicada.

Foi neste contexto que surgi na França do século XIX, uma outra corrente de pensamento geográfico, a corrente possibilista. Ela surgi como uma reação ao determinismo geográfico alemão e ao seu expansionismo.

ENTÃO VAMOS LÁ!!!
Nessa nova escola geográfica, a natureza passou a ser vista como possibilidades para a ação humana; daí o nome de Possibilismo dado a esta corrente por Lucien Febvre.

Nessa nova perspectiva a natureza é considerada como fornecedora de possibilidades para se quisesse o homem poderia modificá-la a seu favor. Assim bastaria que o homem interviesse nessa, adequado-a as suas necessidades.

ISTO É: O Homem tem a possibilidade de mudar(transformar) o meio se quiser. Assim, nascia a segundo paradigma a caracterizar a geografia do final do século XIX. Teve como principal personagem o francês Paul Vidal de La Blache. 

Observa-se que seus defensores abolem qualquer forma de determinação do homem sobre a natureza, isto é, La Blache e seus seguidores negam a ideia que o homem fosse um produto do meio, e adota a idéia de que a ação humana é marcada pela contingência, isto é, algo que este pode se quiser se adaptar ao meio e mudá-lo se assim o desejar. 


Resumindo: Os adeptos da perspectiva possibilista não atribuem às condições ambientais a responsabilidade absoluta pela pobreza da população regional. Para os possibilista, o meio ambiente pode oferecer possibilidades que serão ou não aproveitadas em função do gênero de vida, das necessidades etc. daspopulações.  O que La Blache, traz de novo para o campo da análise geográfica é que o homem se adapta ao meio, além de modificá-lo.

Para La Blache O HOMEM não sofre ação do MEIO NATURAL e sim agi sobre o MEIO por isso ele o ver como um sujeito ativo. Isto é, que pratica a ação sobre um outro agente exterior a ele homem.

Isto é: La Blache concorda que o homem é um agente geográfico que atua sobre o meio natural, de acordo com seu pensamento o homem não só tem influência no meio natural, como tem a opção de criar possibilidades para sobreviver.

Além do conceito de região La Blache introduz um outro conceito fundamental pra entender a sua teoria é o de gênero de vida, onde defendia que os povos que foram colonizados pelos europeus acabaram sendo beneficiados culturalmente. Esse conceito legitimava o domínio dos povos asiáticos e africanos pelos franceses.


O QUE SERIA O GÊNERO DE VIDA?
Gênero de vida seria como um (o) conjuntos de  técnicas que foram repassadas de geração a geração, nascida da necessidade de dar uma resposta a alguma manifestação do meio.


Vidal de La Blache propõe um novo método à geografia, in­serindo uma perspectiva histórica e funcional. As relações homem­-meio são encaradas, por essa ótica, com uma abordagem recíproca e harmônica. Além de receber influências de seu ambiente, o homem se apresenta como fator geográfico, transformando a fisionomia da pai­sagem a partir das possibilidades que cada meio oferece. “Enquanto que, para o determinismo, o homem era apenas um elemento entre os outros, com Vidal, ele se faz mestre dos outros, pois se adapta à natureza e a transforma em seu próprio benefício.”

Paul Vidal de La Blache se pergunta por que há áreas po­voadas e outras não. Sua resposta considera que algumas regiões são mais propensas à vida. Se as regiões áridas ou muito frias fo­ram ocupadas é porque houve uma intensa pressão em áreas mais férteis, ocasionando migrações.

O autor afirma que a tendência foi a aglomeração de núcle­os humanos ao longo do curso de rios, ocorrendo uma separação por obstáculos, como montanhas. Nesse isolamento, em sua relação com o meio, o homem teria engendrado seu modo de vida, levando à criação de técnicas capazes de transformar o ambiente.

Analisados por meio de ideias darwinistas, os isolamen­tos levam à formação de “raças”. Em alguns casos, a população ficaria estagnada em seus hábitos, assemelhando-se às popula­ções animais, por serem presas, historicamente, à mesma forma de interação com o meio.

É assim que, para o mesmo autor, os povos teriam uma tendência inerente ao aperfeiçoamento. Há culturas rudimentares, pontuais, e outras capazes de transmitir seus progressos. A Europa ocidental teria apresentado um desenvolvimento quase contínuo, o que não ocorrera com as civilizações da África e da Ásia, habitantes das zonas de deserto e de estepes. Por isso, os europeus deveriam alastrar seu “progresso” e “evolução” para outros gêneros de vida.

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